Acordo, abro os olhos, recupero o fôlego. Confiei-te os meus segredos, devolvi-te as minhas lágrimas, gritei até á exaustão agarrado a ti. Uma vez sufoquei, e suei ainda mais. Passei mal, mas continuavas colada a mim. O teu corpo moldava-se ao meu, a minha cara entrava em ti em movimentos subtis, quase eróticos.
Acordo, não quero. Sei que te vou deixar. Nos lençóis fica a mancha do meu suor, da nossa noite. Ficas-te deformada, contorcida, arrebatada do teu corpo. Já não te reconheço, não me lembro de ti assim, feia, mutilada, sufocada. Mas ainda te quero muito. Voltar. Todos os dias vou-te procurar, estendida na minha cama, só á minha espera, aguardando que te use. Foi para isso que nasceste, almofada.